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Kylie – É hora de encontrar o seu Ray of Light

Confira uma análise feita por John Marrs e publicada pelo site Different Scene sobre o lançamento do álbum Aphrodite e toda a má estratégia promocional da gravadora.

Já faz um pouco mais que 12 meses desde o lançamento do eufórico retorno pop de Kylie, Aphrodite.

Os fãs deveriam estar olhando com orgulho um ano repleto de triunfos que definiram a carreira dela e vendas estelares. Ao invés disso, muitos estão tentando esquecer como o projeto que deveria ser vendido tão facilmente foi ofuscado por oportunidades desperdiçadas e promoções mal executadas. E eles estão perguntando como isso pode ter dado tão errado, tão rapidamente?

Tudo começou de forma promissora. Em maio de 2010, ela anunciou a chegada surpreendente mas iminente de Aphrodite. E imediatamente, os fóruns de mensagens enlouqueceram. A antecipação era compreensível. Muitos fãs estavam ainda perplexos com a forma como Body Language havia morrido e por que X virou artigo de pechincha logo depois do seu lançamento. O post-mortem de X concluiu que tudo foi um projeto confuso, complicado e com um ego maior do que deveria. Os fóruns transbordavam teorias com motivos e uma caça às bruxas começou pelos responsáveis pelo deslize no controle de qualidade.

Até a Kylie se envolveu com a comoção.

Em retrospectiva, poderíamos mesmo ter feito melhor, concordo plenamente com isso. Considerando o tempo que tínhamos, isso é o que é.

Então havia muito em jogo com Aphrodite. O produtor executivo Stuart Price (que deu à Madonna um muito necessário empurrão de volta às pistas com Confessions On A Dancefloor) foi o olho-que-tudo-vê com o objetivo de garantir que tudo ficasse coeso. Seu velho amigo, Jake Shears dos Scissor Sisters, e Tim Rice-Oxley do Keane contribuíram com suas melhores linhas e rimas, assim como Nerina Pallott e Kish Mauve. Tudo desde o lindo trabalho de arte até a rigorosa promoção que estavam em seus devidos lugares.

As estrelas estavam perfeitamente alinhadas para o retorno do pop de Kylie. Aphrodite seria grande. E por “grande”, queremos dizer tão grande quanto Fever. Queremos dizer grande como Fever + Light Years multiplicados pela Kylie. E um pouco mais.

Mas não foi assim.

O glorioso primeiro single All The Lovers tropeçou de início e entrou em colapso na terceira posição, falhando no trabalho de persuadir um número suficiente de amantes da música a clicarem no botão ‘download’. Mas isso não foi um negócio rompido. A falha de atingir a primeira posição não impediu Confide In Me ou Better The Devil You Know de ser tornarem clássicos atemporais. Além disso, o público de Kylie não necessariamente se apressara em comprar singles. Ao invés disso esperaram pelos álbuns.

E quando saiu, virou o seu quinto número um britânico, vendendo 79,000 cópias nos primeiros seis dias. Os fãs foram ao delírio. Kylie estava de volta ao topo e não só no Reino Unido – foi parar no top 10 de 15 países diferentes. Mas esse fogo de vaidades era um alvo fácil pra se apagar quando você compara as vendas de Aphrodite com o muito maligno X. Que vendeu mais – 82,000 cópias na sua primeira semana.

Quando os fãs inveterados de Kylie adquiriram cópias tanto da edição original quanto da especial, o álbum Aphrodite começou sua descida nas paradas. Só uma promoção pechinchando £4.95 poucas semanas após o início da campanha conseguiu colocá-lo de volta ao top 20.

Os otimistas depositaram sua esperança na segunda faixa, Get Outta My Way. Mas quando eventualmente foi lançada como um single e um pacote remixado (quase três meses depois de All The Lovers) os downloads da versão do álbum já haviam estragado seu impacto. Permaneceu na 12ª posição e em duas semanas caiu mais rápido das paradas do que Cheryl Cole do American X Factor.

No entanto, sua gravadora ainda tinham lições a aprender de X. E quando foi lançado o single número três, Better Than Today, Aphrodite estava morrendo. Mesmo depois de uma performance muito cobiçada o X Factor – que quase sempre garante uma subida enorme nas paradas – a música não bateu o top 60. Quando Dermot O’Leary a questionou sobre a data de lançamento, Kylie ficou confusa. Não é um bom sinal. No fim, estacionou na 32ª posição. Um quarto single que ninguém se lembra ou se importa incomodou a 93ª posição por uma semana antes de cair na escuridão.

Uma mudança de tática era necessária, eis que surge um dueto com a “voz de aluguel” de Taio Cruz na versão reaproveitada da sua faixa Higher. Mas os pioneiros de “novas músicas” da Radio One humilhantemente escolheram tocar a versão norte-americana com um rap do relativamente obscuro Travie McCoy ao invés da contribuição de Kylie.

Com seis meses de campanha e depois de uma promoção de guerrilha incansável no estilo Gaga, partindo da própria Kylie, as vendas britânicas estacionaram em 300.000. Isso é ainda menos que Body Language.

Então como uma era que prometeu tanto trouxe tão pouco resultado? A senhorita Minogue acha que sabe o motivo.

Eu fiquei um pouco decepcionada com os meus lançamentos de Aphrodite. Fiquei na mesma situação que muitos artistas estavam, com gravadoras tentando descobrir como fazer o lançamento de singles nos dias de hoje. Eu me lembro de estar fazendo a ação promocional de lançamento de um dos últimos singles e me parecia tão antiquado… algo não parecia certo, mas ninguém me falou nada.

Então você tem Britney (Spears) lançando Hold It Against Me e Born This Way de Gaga disponíveis no iTunes no dia em que você ouviu pela primeira vez. É assim que tem que ser. E aí tem eu, esperando por uma posição nas paradas semanais como se fosse 1989. Eu fiquei um pouco decepcionada com isso. Não sabia como medir o sucesso dos singles.

Ela está certa em culpar o marketing à moda antiga, ou será que ela e os fãs estão em negação e fazendo da gravadora dela um bode expiatório? No fim das contas, eles podem apenas fazer o melhor que puderem com o material que lhes é entregue. Hetero ou gay, se as pessoas não gostam da sua música, elas não vão comprar. Kylie fez exatamente o que seus fãs imploraram e lançou um álbum pop sólido. Então se eles deram as costas para um produto que foi tão diretamente focado neles, então que esperança ela tem?

“Ela está no meio de uma tempestade perfeita de consolidação de uma base de fãs e apatia mainstream,” conta o especialista em paradas James Masterton ao Different Scene. “Quando ela faz discos, no entanto, ela tenta recapturar a forma passada. Com uma porção de singles recentes pouco impressionantes nas mãos, não é injusto dizer que a mágica se foi. O que não ajuda é que seu próprio estilo disco pop não é mais do gosto mainstream popular.”

Mas Kylie está num ponto onde na verdade ela não precisa mais vender discos. Seu trabalho passado e reputação popular falam por si só. Você pode colocar no palco uma turnê de arena com os maiores hits de Kylie daqui a três anos e isso se venderia sozinho, apenas pelo valor do nome.

Claramente ainda há demanda de presence dela no nosso mundo – a esgotada turnê mundial Aphrodite foi uma orgia espetacular do amor universal. Mas em um cenário onde os mais jovens, garotos novos do pedaço como Jessie J, Adele, Katy Perry e Lady Gaga estão beliscando seus Jimmy Choos, você precisa trazer algo um pouco único que o segure na psique do público.

Kylie poderia esperar pela hora certa, sair da tempestade e rezar para que mais um Can’t Get You Out Of My Head caia no seu colo. Ou ela poderia tentar uma troca de estilo. Mas isso nunca foi garantia de sucesso. A Kylie indie sofreu uma morte de um único álbum. Houve um ‘non’ sonoro para a Kylie francesa. Os fãs puxaram a tomada da Kylie electro. O que fecha o ciclo com a Kylie pop em Aphrodite. E isso também não funcionou.

Existe, no entanto, um ângulo que ela explorou pouco. E isso é para destrinchar a personalidade pública e revelar quem Kylie realmente é e onde a vida dela está através da sua música. Porque gravar as letras de uma outra pessoa raramente mostra a verdadeira identidade de uma estrela.

“Por anos ela foi o recipiente vazio favorito de qualquer compositor ou produtor,” acrescenta James Masterton [www.masterton.co.uk]. “Ela só interpretava o material colocado na frente dela. Mas ela não pode mais garantir vendas saudáveis com a voz dela nas faixas deles. Apesar da cadeia de nomes que trabalharam em Aphrodite, está claro que ela não é mais a artista certa pra usar seu material de primeira. O que é um problema”.

“Seus fãs que restaram simplesmente precisam baixar suas expectativas. A não ser que aconteça um milagre, você não pode mais esperar que ela suba as paradas por padrão. Conforme-se com isso e a carreira dela não precisará mais de forma alguma ser taxada como uma falha.”

É fácil e declaramente preguiçoso, comparar Kylie à Madonna. Mas existe uma lição interessante a aprender com a Srta. Ciccone. Depois das vendas razoáveis de Erotica e Bedtime Stories, ela deu um passo para trás, e liberou uma vida inteira de exposição, coração partico e lições aprendidas com Ray of Light. Simplesmente, Kylie precisa do seu próprio momento Ray of Light.

Ela tem um reservatório de experiência de 43 anos para consultar. Ela viu alguns relacionamentos se acabarem e outros bem sucedidos; ela sentiu a dor da morte do seu ex-amado Michael Hutchence; ela lutou contra o câncer de mama e venceu. Ela passou a maior parte da sua vida nos holofotes públicos e sua dignidade e sanidade permaneceram intactos. Mas onde está a evidência dos seus triunfos e cicatrizes de guerra nas canções dela? Sabemos que ela não é uma marionete do pop, mas precisamos senti-la. Ela precisa entrar em consenso conosco. Precisa pegar uma caneta e começar a escrever.

Ela tem a voz, o espírito artístico e a experiência. Mas se Kylie quiser que seu álbum número 12 seja maior e melhor que nunca, ela precisa de um momento que defina sua carreira.

Porque se houver mais um caso sem sucesso, ela será Lucky, Lucky, Lucky se tiver mais uma chance.

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Tags: Aphrodite Aphrodite Tour Madonna Publicado por James Sabel em 5 de outubro de 2011 às 07:42

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