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Kylie cede incrível entrevista para Simon Price!

Kylie Minogue é uma gênia do pop, mas é preciso esclarecer isso: ser um gênio do pop é ter uma visão do que exatamente você quer e saber exatamente o que você precisa ao trabalhar com os melhores compositores, produtores e figurinistas a fim de elevar a qualidade da música e criar pop perfeito para o mundo.

A australiana conta que nos tempos da PWL Records não havia muita diferença entre estar atuando em uma novela ou gravando músicas, tanto que, em 1992, resolveu tomar as rédeas de sua carreira:

“Conforme o tempo passava, eu queria estar mais envolvida com a imagem que estavam passando de mim: eu precisa de algo novo. Não sei se mais alguém que era guiado pelo trio Stock Aitken Waterman continuou carreira sólida. Parte do meu trabalho é fazer com que pareça fácil… mas definitivamente não é”.

Com os passar dos últimos 25 anos, ela se transformou e reinventou. Recebeu apelidos como Cute Kylie, Sex Kylie, Indie Kylie, Dance Kylie e os satirizou brilhantemente no vídeo clipe de “Did It Again”. Agora, com 44 anos, não levará muito tempo para a chamarem de Old Kylie:

“Parece que minha idade tem que sempre ser relacionada ao meu nome. Quando eu era jovem, não entendia por que as mulheres mais velhas reclamavam de ser chamadas de ‘velhas’. E, de repente, eu mal acreditei que já estava nessa faixa etária. Não me sinto tão velha, e não parece que isso deva fazer muita diferença, mas há algum tempo eu parei para considerar isso”.

A cantora ainda fala sobre como é se manter na industria fonográfica nos dias atuais:

“Hoje, se você ouvir um pouco de rádio verá que o publico alvo é outro, uma nova geração que é diferente para mim! Eu sei que tenho fãs nessa nova geração e isso é fantástico, mas sei que muitos dos meus fãs estão em faixas etárias diferentes. Foi então que me vi em uma posição privilegiada e pude me arriscar e trabalhar em projetos como o The Abbey Road Sessions e mostrar um lado maduro, como em ‘Flower’. Eu não aceito me retirar desse mercado tão cedo! Talvez seja verdade o que todos estão dizendo: que 50 é o novo 40, e 40 é o novo 30. Quem sabe. Enquanto isso, eu estarei fazendo o que achar certo para mim”.

Kylie Minogue tem em sua bagagem 59 singles, 11 álbuns e 25 anos de incríveis materiais lançados. Escolher as 16 músicas que fariam parte de seu novo álbum não foi algo de extrema facilidade:

“Nós tivemos um período de ensaios em um estúdio que não era o Abbey Road para elaborar alguns esboços de como fazer as músicas. Foi uma semana incrível e estive ao lado da minha banda, e dos produtores Steve Anderson e Colin Elliot. Nós passamos muito tempo tentando coisas e assim descobrimos as músicas que funcionariam. Para algumas músicas elaboramos duas versões: algumas não foram diferentes o suficiente ou que evoluíssem para algo que fizesse sentido. Eu queria músicas que representassem a totalidade da minha carreira, por isso tivemos que levar isso em conta e escolher algo de cada período”.

Questionada sobre alguma música que teria preferido não deixar de fora do álbum, Kylie afirma:

“Eu gostaria de ter incluído “Breathe”, que foi uma das primeiras razões para este álbum surgir: estávamos em turnê e fizemos uma versão um acústica da música em um camarim e compartilhamos com os fãs, que ficaram extasiados. Para mim, isso foi uma coisa tão simples de fazer e, por conta de sua acessibilidade, eles adoraram. Realmente foi uma conexão vocal real por trás de todas as roupas extravagantes que uso nos shows”.

Em seus shows, Kylie já apresentou diferentes versões para suas canções, como a delicada “Come into My World”, na Showgirl: The Greatest Hits Tour, e o verdadeiro sambódromo em “Better the Devil You Know”, na Aphrodite: Les Folies Tour:

“Nos últimos anos, fizemos uma versão de jazz de “The Locomotion”, mas a minha versão preferida é a do novo álbum: ela se aproxima das musicas dos anos 60, o que é naturalmente incrível, visto que essa canção nasceu nesta época! Essas versões novas ganham vida porque, muitas vezes, precisam estar lá e eu não quero cantar (novamente) a versão original. Mas, algumas vezes, as versões originais são cantadas… E isso depende de onde minha cabeça e meu gosto estão”.

A australiana conta que Flower foi originalmente concebida para o álbum X, mas que não fez parte por não se encaixar na sonoridade do mesmo. Simon Price, amigo de longa data de Kylie Minogue, classifica X como “uma obra de arte pop, um daqueles álbuns que você ouve do início ao fim e não há uma única faixa fraca”. Sobre o primeiro álbum que apresentou após o tratamento de um câncer, Kylie afirma:

“Eu fico muito satisfeita com o X. Para o Aphrodite, eu tinha um produtor executivo (Stuart Price) e juntos buscamos por algo que fosse mais coeso do que X, que engloba várias formas de musica. Quanto ao X, eu acho que as decisões certas foram tomadas, incluindo a de manter “Flower” fora do álbum”.

Na produção de X, Kylie trabalhou com Calvin Harris e conseguiu explorar o melhor do produtor que, por sua vez, extraiu o melhor de Kylie em faixas como In My Arms e Heart Beat Rock. Hoje, Calvin Harris é mundialmente conhecido por suas produções e parcerias, e Kylie comenta:

“Imagino que ele continue o mesmo em estúdio. Ele era muito focado sobre a melodia que  gostava e suas estruturas de acordes foram fantásticos. Estava claro que ele iria longe! Eu estou feliz por ele”.

Para o novo álbum, Kylie contou com o apoio de Nick Cave na regravação da faixa Where The Wild Roses Grow. A dupla já havia trabalhado junto em 1995, mas poucos sabem que a ideia do dueto veio anos antes:

“Minha experiência com Nick Cave foi vivenciada provavelmente de trás para frente, porque na época eu não sabia muito sobre ele. Cerca de seis anos antes do dueto acontecer, meu namorado Michael Hutchence tinha dito “Meu amigo Nick quer fazer uma música com você”, mas eu realmente não sabia o que ele queria dizer com isso e nunca mais pensei sobre isso. Com o passar dos anos eu me senti realmente segura em gravar o dueto sabendo que há seis anos meu nome havia sido mencionado por ele. Eu já havia falado com Nick e nosso primeiro encontro foi em um estúdio de Melbourne. Depois de gravar com ele naquele dia, obtivemos uma canção muito sensível, bonita e sexual. Logo eu corri para ler uma biografia sobre Nick e então eu percebi: ‘Wow, este é o mesmo cara que conheci?’. Eu li sobre o The Bad Seeds e a vida que ele levou: toda a energia, sua linguagem corporal, a entrega e a fúria de algumas dessas músicas! Ele parecia estar em completo contraste com aquilo que gravamos juntos. No entanto, na vida real, ele é o perfeito cavalheiro: é como um poeta! Até mesmo nas performances ao vivo Nick era muito sensível e não fiquei surpresa ao descobrir que ele é um verdadeiro gentleman”.

Kylie ainda afirma que Nick Cave teve um papel crucial em sua reconciliação com o o passado, fazendo-a seguir na direção da música pop:

“Quando trabalhamos juntos, eu estava iniciando a fase Impossible Princess da minha carreira e Nick disse que queria me ouvir cantar música pop. Essa foi mais uma surpresa vinda de Nick Cave. A grande reviravolta veio nos Jogos Olímpicos de Poesia no Royal Albert Hall em 1996, recitando “I Should Be So Lucky”: eu tentei achar várias desculpas para não ir e fazer aquilo, que foi equivalente a ir em algum tipo de terapia de grupo. Eu estava lutando com uma garota interior da qual eu tinha medo… Foi como olhar nos olhos dela e dizer: ‘eu não vou me livrar de você, então vamos unir forças!’ A partir desse momento, eu aprendi a abraçar o meu passado pop”.

Um dos maiores espetáculos de Kylie é a turnê X2008, composta de um deslumbrante conceito de moda, visuais de Pop Art, alta tecnologia e coreografias brilhantes. Eternizado na arena O2 de Londres, o show é como um arauto para muitas cantoras do pop e, aparentemente, serviu como alicerce de uma turnê de Lady Gaga. Após um longo suspiro, Kylie afirma:

“Eu não sei o quanto ela sabe sobre meus shows ou qualquer coisa sobre mim. Para você saber de tudo que há de mais moderno para usar em um show, depende de avaliação de técnicos e eu acho que a cada novo show que eu crio fica um legado que, com o passar dos anos, fica mais difícil de criar algo novo. Não é a primeira vez que alguém diz isso pra mim e se há alguma influência, eu acho ótimo! Outras pessoas me influenciam e eu fico muito feliz ao saber que eu possa fazer isso para alguém”.

Em meados de 1991, a banda Manic Street Preachers teria entrado em contato com a equipe de Kylie para a gravação de um dueto na canção “Little Baby Nothing”. Surpresa, a cantora afirma que não sabia dessa proposta e se justifica:

“Essa proposta aconteceu quando eu estava presa na PWL, então de maneira nenhum chegou aos meus ouvidos. Se o álbum saiu em 1992, eles provavelmente começaram a trabalhar nele em 1991, época em que eu estava tentando diversificar um pouco (talvez por influencia de Michael Hutchence). Curiosamente, agora eu estou tentando obter memórias de como eu era na época”.

A banda teve participações em algumas letras do álbum Impossible Princess e, mesmo não participando da gravação da versão original, Kylie participou de uma performance ao vivo junto com da banda. Você pode ouvir essa raridade abaixo:

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Simon Price esteve no primeiro show que Kylie realizou em Londres após retomar a Showgirl Tour – interrompida no ano anterior para o tratamento contra um câncer de mama – e revela que aquela noite lhe proporcionou a atmosfera mais extraordinariamente emocional de toda sua vida. Emocionada, Kylie conta sua experiencia de volta aos palcos:

“Eu não sei nem por onde começar! O show na Arena Wembley foi o primeira que fiz quando voltei para a Inglaterra e havia algo diferente na plateia! Retomar a turnê na Austrália foi algo surreal: eu sentia que no meio da multidão um ar de preocupações do tipo ‘ela esta tão frágil, ela vai se machucar’. Foi importante pra mim voltar aos palcos depois de tudo que passei, então eu foquei nesse objetivo e o idealizei”.

Simon também relembra a primeira vez que ouviu Can’t Get You Out Of My Head: “Essa musica sera imortal! Ela dominara o mundo!”. Kylie conta que sua reação foi semelhante:

“Fui chamada por Miles Leonard e Jamie Nelson para uma reunião na EMI. Apos ouvir uma demo da canção eu fiquei por alguns segundos fora de mim, sem sequer imaginar aquilo que eu estava ouvindo! Eu comecei a me perguntar se aquilo era real, se poderíamos fazer e se seria seguro. Então fizemos e o resultado foi um pontapé em uma fase totalmente diferente na minha carreira”.

Sobre suas atuações em Jack & Diane e Holy Motors, a australiana conta que atuar nesses filmes foi como um sopro de ar fresco que a fez ser capaz de fazer algo diferente e ir para fora dos trilhos:

“Eu definitivamente amo para dar mais espaço no meu cérebro, o que leva a mais espaço na minha vida e, consequentemente, leva a mais oportunidades. Quando estou promovendo um álbum e fazendo uma turnê de seis meses em todo o mundo, não há espaço para fazer qualquer outra coisa além disso. As participações que fiz em Jack & Diane e em Holy Motors reacenderam esse desejo que sempre esteve em mim. Foi muito gratificante fazer Holy Motors, e o resultado parece ser algo que está ganhando força em todo o mundo. Trabalhar com alguém tão inspirador como Leos Carax, e tentar obter um pouco daquilo que esta dentro de seu cérebro é realmente atraente. E isso é excitante!”

Com uma história incrível feito essa, como não gostar de Kylie Minogue?

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Tags: Entrevistas Publicado por Felipe Sudré em 30 de outubro de 2012 às 12:09

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