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Kylie Minogue e o mundo particular de “Holy Motors”

Kylie Minogue estava afastada dos grandes filmes desde 2001, quando participou do celebrado musical Moulin Rouge! – Amor em Vermelho, do diretor Baz Luhrmann. Desde lá, ela participou de seriados como Doctor Who e emprestou sua voz para a dublagem de duas animações. Todas aparições muito discretas, de pouco alarde. Mas, agora, em 2012, ela volta a estar sob os holofotes cinematográficos com “Holy Motors”, longa bastante “underground” que gera várias discussões por onde é exibido.

E “Holy Motors” foi longe: do Festival de Cannes ao Festival do Rio, o longa de Leos Carax ainda levou Kylie a diferentes continentes para participar de coletivas, sessões de exibições e entrevistas. Inclusive, nós, do KYLIE.com.br, estávamos presentes na exibição e na coletiva de imprensa com Kylie, em outubro, no Festival do Rio, onde acompanhamos todos os passos da cantora pela “cidade maravilhosa”.

O redator Matheus Pannebecker conferiu “Holy Motors” – programado para estrear em circuito comercial no próximo dia 30 – e conta como é o longa de Leos Carax, bem como a participação da Kylie. Confira a crítica:

Louco. Complexo. Desafiador. Intrigante. Incompreensível. É bom, de vez em quando, assistir a um filme que ultrapassa todas barreiras do convencional e convida o espectador a entrar em uma viagem totalmente nova e diferente de tudo aquilo que estamos acostumados a ver nos cinemas. Holy Motors é um desses exemplares que uns amam, outros odeiam. Não existe meio termo.

Talvez todo esse caráter polêmico tenha lhe tirado maiores chances no último Festival de Cannes, onde perdeu a coroação máxima para o elogiado Amour, de Michael Haneke. Porém, assim como o filme vencedor da Palma de Ouro, o novo trabalho de Leos Carax tem tudo para se tornar um clássico “cult”, para quem gosta desse tipo de definição. Bom ou ruim, Holy Motors não causa indiferença. E isso é algo a ser considerado.

Nunca se deve indicar Holy Motors a ninguém. Nunca. Caso alguém o faça, corre o sério risco de irritar aqueles que comprarem o conselho. Mas é bem provável que, de repente, acerte em cheio o gosto de (raros) interessados.

É uma experiência atípica, onde o espectador precisa de tempo para se acostumar com o universo do longa de Leos Carax. Mas a verdade é que não é necessário compreender todo o filme para entrar no clima.

Quem se propor a embarcar nessa viagem maluca e bizarra certamente sairá recompensado da sessão. Alguns podem dizer que Holy Motors é mais um experimento do que propriamente cinema – e existe certa razão nessa afirmativa – mas é impossível não reconhecer o brilhantismo de Carax ao manipular signos e metáforas sem nunca se distanciar de uma narrativa cinematográfica bem orquestrada e instigante.

Explorando o lado mais metropolitano e menos a abordagem sonhadora e cartão-postal de Paris, o diretor cria um clima eficiente: os movimentos de câmera, a fotografia e o clima sombrio constroem uma narrativa extremamente intrigante, que varia do drama ao mistério. Afinal, quem é o protagonista interpretado por Denis Lavant? O que ele faz? O que significa cada uma de suas “tarefas”? Quais são as suas motivações?

É um filme que desafia o espectador a juntar as peças e achar as respostas sozinho. Explicações são quase nulas em Holy Motors. Há quem ache isso um demérito e um empecilho para se criar qualquer conexão com aquele universo, mas é aí que reside uma das maiores qualidades do trabalho de Carax: nem todo filme precisa de respostas claras.

Não dá para evitar a sensação de que muitas situações estão ali só tornar a experiencia “experimental” e underground. Contudo, o diretor não perde o equilíbrio porque, apesar desses momentos, consegue realizar outros muito sensíveis, especialmente os mais dramáticos.

Importante notar que Holy Motors tem uma estrutura episódica: o que importa é cada personalidade assumida pelo protagonista, a situação em que ela está inserida e o que ela de fato representa. E a boa notícia é que o filme não se torna cansativo em função das nove identidades do personagem principal. Para driblar a mesmice que seria tão comum em um formato como esse, o diretor se vale de muitas coisas: drama, crime, nudez, cemitérios, mortes e relações mal resolvidas.

Quem obviamente se beneficia dessa variedade de abordagens é o ator Denis Lavant, que impressiona com a sua total entrega ao personagem. Do homem convencional ao mendigo repugnante, ele se despe (literalmente) de vaidades para lidar com uma figura extremamente desafiadora. E seu resultado não é menos que louvável.

Quando se encaminha para o final, Holy Motors ainda nos reserva outra grata surpresa: a participação da Kylie, naquele que é, sem dúvida o momento mais interessante de todo o filme. A australiana, que começou sua carreira como atriz de TV, estava afastada das telas desde que fez uma ponta no musical Moulin Rouge – Amor em Vermelho.

Aqui, ela afastou-se do seu marcante guarda-roupa e de qualquer vaidade para dar vida a uma personagem que é o coração de Holy Motors e que também traz um momento muito nostálgico para o protagonista.

Soltando a voz com Who Were We? (canção originalmente escrita para o filme e interpretada em uma cena musical muito bem pontuada), ela segura tudo com notável segurança e sensibilidade, não fazendo feio ao lado do impecável Denis Lavant.

Holy Motors certamente é um filme incômodo e que precisa de revisões para ser devidamente mastigado. Mas, como bem apontou o crítico Tim Robey, do The Telegraph, você dificilmente vai conseguir tirá-lo da cabeça (fazendo referência a Can’t Get You Out of My Head, hit parte da trilha sonora). E vamos ser sinceros: poucos filmes conseguem esse feito!

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Tags: Holy Motors Publicado por Matheus Pannebecker em 24 de novembro de 2012 às 22:59

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