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Review do show em Glasgow

Confira o review publicado pelo jornal The Observer, escrito por Kitty Empire sobre o show da Aphrodite Les Folies em Glasgow.

Se esta é a sua última turnê, ela não vai contar. Mas o show caríssimo de Kylie Minogue, Aphrodite: Les Folies, com certeza dá a sensação de últimos dias de um império decente – no melhor sentido possível. Penas e dançarinos alados voam pela face dos cortes de Arts Council e outros atributos que atingem a alma da recessão, com uma teatralidade de Vegas, os acontecimentos parisienses do Les Folies Bergere, os musicais aquáticos de Esther Williams e o ritual encharcado de um passeio pelo Alton Towers.

Os deuses dos reviews foram bondosos: estou na Splash Zone, uma aproximação cheia de fãs devotos, e capas de chuva com a marca da Kylie. Eles pagaram em torno de £250 por uma vista sem restrições para o traseiro da Kylie, e o privilégio de ser borrifados com água com cloro no final (isso é muito melhor do que soa aqui).

Alguns fãs vieram vestidos como gregos antigos, levando o clássico tema do mais recente álbum da estrela australiana. O álbum Aphrodite do ano passado, aclamado pela crítica, continuou o sucesso confortável da cantora australiana, que não é digna de nenhuma estatueta em particular, mas também não é ruim.

O cenário clássico dessa turnê é enfaticamente não a Grécia antiga de garotos de fraternidade cheios de cerveja gritando “Toga! Toga! Toga!” em homenagem ao ‘Animal House’. Isso é, na verdade, a Grécia antiga do difundido amor entre os homens, na qual dançarinos masculinos, mal cobertos em Dolce & Gabbana, são frequentemente entrelaçados, balançando em cordas ou tocando tambor nos traseiros uns dos outros.

Bem quando você pensa que a entrada de Kylie com “Aphrodite” – como uma Venus de Botticelli, abrigada por uma concha dourada – é a coisa mais incomum que você já viu, chega “Wow”, na qual os dançarinos vestidos como centuriões romanos erguem seus escudos na altura da virilha em resposta à passagem de Kylie.

Logo, no entanto, chegamos em “I Believe In You”, que é possivelmente ainda mais incomum. Kylie passa por uma rampa em uma carruagem dourada, puxada por quatro dançarinos vestidos com couro e pouco mais que isso. O que faz essa visão ser apropriada para famílias (ou algo assim) é o contraste marcante entre a vibração masoquista dos dançarinos e o brilho emanado por Kylie, que está longe de ser apagado pelos acontecimentos entre os mortais abaixo dela. Não como “Kylie a carnívora”, ou a sexualidade participante de uma Madonna, ou a sede por carne de uma Lady Gaga. A Kylie invoca uma carnalidade sensual, sem vulgaridade e passa por cima disso desapaixonadamente ou com uma piscadela.

Você poderia observar eternamente a garra dessa cantora de 42 anos de idade, que fica à sombra da Madonna. Seu álbum Aphrodite foi produzido por Stuart Price, que fez o retorno de Madonna com Confessions on a Dance Floor. Kylie não é puramente criativa, como Kate Bush ou Björk; ela não tem os dotes de uma Celine Dion. Ela nunca deslanchou de verdade nos Estados Unidos, o lar espiritual da música pop. Mas as reinvenções estilosas e firmes, uma cadeia de relacionamentos nos tabloides e hits confortavelmente espalhados pelas décadas mantiveram a ex-atriz de Neighbours na cena da cultura pop.

Seu tratamento bem-sucedido do câncer há seis anos adicionou uma profundidade considerável à narrativa de Kylie. Minogue agora virou oficialmente uma sobrevivente, o que não necessariamente vai contra seu status de ícone gay. Com o risco de diminuir uma mulher incrível para uma mera cifra, o arco de sua sobrancelha pode ser um segredo para sua longevidade pop. A sobrancelha direita da Kylie sempre sugeriu que – seja lá o que for que falta em seu material – Kylie está muito dentro da brincadeira deliciosa que traz todo o orgulho do showbiz.

Mais que isso, sua turnê Showgirl de 2005-6 foi um movimento astuto pra longe do pop contemporâneo e para perto do enriquecedor teatro musical, onde sua idade seria imaterial. Aphrodite: Les Folies é a conclusão natural desse processo – um show com mais de um milhão de partes móveis, incluindo um palco que balança incrivelmente, onde Kylie canta um remix jazz magnífico de “Slow”, apoiado pelos dançarinos. O Pégasus dourado, a parte de cima do traje da Kylie, o vestido de baile Bacofoil e o dançarino anjo voador juntos custaram $25 milhões. Essa soma foi custeada em parte pela Lexus, cujo carro mais recente a Kylie está patrocinando, potencialmente transformando esses golpes de teatro em coupés de théâtre.

E quanto às anotações chatas? Não havia necessidade para a versão rock de “Can’t Get You Out of my Head”, uma música que era perfeita casada com um riff sem objetivo algum. Muitas das músicas anteriores de Kyie se recusam a ficar grudadas no cérebro, mas fazem a trilha sonora perfeita para ótimas acrobacias. No fim fica tudo espetacular. Um tablado na parte da frente se transforma numa fonte de várias camadas. Dançarinos molhados ficam em cada uma das camadasm, enquanto outros se penduram, giram e se jogam de ainda mais balanços. Acima disso tudo está a Kylie, cantando “All the Lovers” com uma touca de banho dourada e brilhante, sorrindo gentilmente sobre a pilha de mortais molhados debaixo dela.

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Tags: Aphrodite Tour Publicado por James Sabel em 6 de abril de 2011 às 22:56

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