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Telegraph publica artigo sobre a carreira de Kylie

Veja o artigo sobre a trajetória de Kylie feito por Neil McCormick e publicado pelo jornal inglês Telegraph.

Estrelas pop vêm e vão. Este é, quase que por definição, um negócio instável de modismos e fantasias, populado densamente por artistas de um hit só, destaques do mês, pin-ups esfarrapados, ídolos teen que cresceram demais, boy bands ultrapassadas e farsas cansativas de um truque só, resultando em ciclos sempre em decadência. Carreiras longas são a exceção, e não a regra.

Então como você explica Kylie Minogue? Aos 42 anos de idade, a (ainda) graciosa australiana está prestes a vir pra a Inglaterra com sua maior turnê até agora, Aphrodite: Les Folies, chegando no Cardiff International Arena amanhã à noite e culminando em cinco noites no O2 Arena de Londres em Abril.

Ela tem sido uma das maiores estrelas pop da Inglaterra e Europa desde 1987: isso dá 24 anos de hits e manchetes, um feito estonteante para alguém que não é um músico, compositor, não dita modas, e nem mesmo é um cantor marcante em particular.

Ela teve seu primeiro número 1 britânico quando Mel & Kim, Rick Astley, Terence Trent D’Arby e T’Pau foram capa da Smash Hits, encarou o desafio de Yazz, Sonia, Whigfield e incontáveis outros iniciantes, enfrentou o pop britânico dos anos 90 (Gina G., Brandy, Monica, Spice Girls, All Saints) e no século 21 (Billie Piper, Sophie Ellis Bextor, Holly Valance), enquanto compete com a geração Lady Gaga por tempo no ar e posições nas paradas. Tirada de uma novela de televisão pela brega fábrica de hits dos anos 80 de Stock, Aitken e Waterman, Kylie ainda se mantém forte enquanto seu antigo parceiro dos crimes pop, Jason Donovan, está participando de reality shows. Será que ela foi lucky, lucky, lucky (sortuda)?

Apesar de às vezes ser descrita como nossa resposta à Madonna (com contrato em uma gravadora britânica, Kylie é considerada britânica por adoção cultural), as comparações definidas para o ícone pop feminino das últimas três décadas nunca foram exatamente lisonjeadoras. Kylie só foi uma Madonna britânica no sentido em que Diana Dors foi uma Marilyn Monroe britânica: uma versão fofinha, abordável e criada em casa, sem o extremismo, falta de atitudes arriscadas ou impacto na cultura global.

Em termos de inovação, Kylie sempre esteve vários passos de dança atrás. Quando a Madonna mostrou tudo de frente com seu livro Sex, Kylie foi um pouquinho atrevida com seus comerciais de roupas íntimas Agent Provocateur; quando a Madonna redescobriu a disco com o Confessions on a Dance Floor, a Kylie contratou o mesmo produtor, Stuart Price, para supervisionar seu próprio trabalho para a pista de dança, o Aphrodite do ano passado.

Apesar de tantas dívidas óbvias, de alguma maneira a Kylie conquistou um espaço bem único no firmamento pop por se manter fiel aos seus próprios melhores instintos. Com tantas maquiagens, troca de trajes e colaborações, seu melhor aspecto não são traseiros tonificados apertados em shorts curtinhos dourados, mas sim seu lindo sorriso e sua disposição alegre infalível. A essência do apelo de Kylie é ela ser tão claramente ela mesma: corajosa, determinada e autêntica.

Ela acaba se passando pela diva do pop que menos dá trabalho, e as pessoas gostam dela genuinamente por isso. Esqueça a Madonna: uma comparação melhor seria ao artista pop de longa data, Cliff Richard. Por natureza, Kylie é uma personalidade agradável pra todos com habilidades de entretenimento abrangentes, uma ética de trabalho forte (nunca comprometida pela sua vida privada neutra, mas ainda desprovida de infância) e instintos pop impecáveis.

Mas não exclua isso: Minogue é claramente maleável, permitindo que os outros tomem as rédeas criativas (é notável como ela se refere aos talentos dos colaboradores nas entrevistas, e tem promovido ativamente o perfil de seu estilista William Baker), mas ultimamente a responsabilidade é da estrela. Não tem um Svengali sinistro perambulando por trás da carreira dela, mas sim um time entusiasmado e altamente motivado.

Dese que emergiu de Stock, Aitken e Waterman no início dos anos noventa (quando ela desenvolveu um interesse em estilismo porque era sua única contribuição real ao processo criativo), Kylie tem sido responsável por uma pitada das mais leves, contagiosas e apelativas canções pop da nossa era, incluindo Confide in Me, Spinning Around e Can’t Get You Out of My Head.

Talvez ela não tenha os pulmões e o controle de um gigante do soul (mas aí, nem a Madonna tem), mas ela incluiu certo tom sensual para sua voz, acertando todas as notas e raramente saindo da sua área de conforto. Ela se expõe somente quando precisam que ela injete emoção ou um alcance, mas para os grandes anchos melódicos do pop é um instrumento perfeito, um guia sedutor para coreografias dançantes. Seu vocal é sempre parte do disco, mais do que o objetivo do disco.

Enquanto sua abordagem de imagem está mais nos trajes do que na mudança de formas como a Madonna, a carreira de Kylie tem sido marcante por três reinvenções de sucesso. Ela fez a difícil transição de queridinha adolescente da nação para (conscientemente ou não) engatar uma narrativa de sedução e corrupção. Ver a virgem Kylie saindo com o Deus do rock Michael Hutchence e colaborando com o compositor e cantor sombrio Nick Cave foi como testemunhar piratas arrastando uma princesa para o mar, só para descobrir que ela acaba tendo muita habilidade com uma espada e tem morrido de vontade de se desfazer do seu corpete e saquear também.

Na década passada, a adoção de uma persona de Showgirl ajudou a negociar o processo da idade que sabota tantas carreiras pop, sutilmente a equacionando com uma tradição mais antiga e eternamente glamorosa.

Mas seu maior triunfo, pessoal e profissionalmente, com certeza foi ter superado o câncer. Todo o puro oxigênio pop da obra de Kylie é um tipo de representação de juventude eterna e pode ter sido ameaçado pela sombra da mortalidade quando ela foi diagnosticada por câncer de mama em 2005. Enquanto sua história corajosa de interesse humano segurou a atenção do público por um tempo, uma narrativa de câncer geralmente demanda como resposta algum tipo de aprofundamento extra. Mas não existe profundidade com Kylie. Seu tipo de pop é justamente baseado em superfícies brilhantes; sua voz não acomodam emoções disfarçadas.

Então foi um golpe de gênio ir pelo caminho totalmente oposto, desafiar a mortalidade declarando-se imortal. Tendo trabalhado para voltar a ser a pequenina em forma e linda que era, ela vai emergir no palco em Cardiff amanhã de uma concha gigante, a Venus de Botticelli encarnada. Em termos de pop, isso parece estar de acordo. Kylie Minogue não é mais só uma estrela pop, ela é verdadeiramente uma Deusa.

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Tags: Aphrodite Tour Publicado por James Sabel em 25 de março de 2011 às 14:05

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