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Terra publica novo review de Kylie 3D

O Terra Magazine publicou hoje uma nova resenha de Kylie 3D: Aphrodite Les Folies. Confira abaixo o texto na íntegra:

A cada camada de filtro, os shows se tornam mais ricos

É preciso admitir que foi com certa desconfiança, descrença na verdade, que fui persuadida no fim de semana passado a adentrar mais uma sessão em 3D no cinema, desta vez não exatamente para assistir a uma narrativa stricto senso, mas para ver um show da australiana Kylie Minogue, gravado em Londres em abril deste ano.

Além do elemento suspeito do 3D, tecnologia de exibição cada vez mais descredenciada na praça, não fazia muito sentido assistir no cinema a um show cuja razão de ser imaginei ser essa interação orgânica, simultânea e física entre artista e público. Cálculo errado. Kylie em sua sabedoria pop entende que, quantos mais filtros, mais rico o espetáculo.

Com o show Aphrodite Les Folies, desenhado após o lançamento do disco Aphrodite, a cantora australiana que é assídua frequentadora dos decks de DJs ao redor do mundo e consegue a proeza de ser ainda mais ícone gay que Madonna, se monta uma superestrutura toda pensada para mediar ideias, sensações e desejos de consumo de seu público alvo.

No cinema, isso se traduz em homens parrudos e violentamente belos pulando e dançando ali a poucos metros do seu rosto enquanto a cantora emerge em cena como uma recauchutada Vênus de Botticelli, nascendo da água que, a essa altura, já molhou os seus óculos 3D.

O fator tridimensional, bem melhor aproveitado aqui que em qualquer filme lançado este ano com a mesma tecnologia, é somente um dos filtros entre o espetáculo e quem o assiste na sala escura e refrigerada.

Além de estar sendo filmado, o show possui ele próprio sua projeção visual, com imagens masculinas ao fundo do palco que projetam o fetiche do belo greco-romano no qual a turnê se inspira. No palco, a cantora joga com todas as armas disponíveis: tem escadaria, biga, plumas, paetês, vários vestidos diferentes usados por ela e até mesmo uma simulação de escola de samba, sendo cada uma dessas imagens, bem além da música, um meio próprio de diálogo com o público.

De todos os filtros usados, de luz à angulação da câmera passando pela supracitadas referências a esse recriado imaginário de Afrodite, o mais relevante é possivelmente aquele representado pelo público que, de fato, esteve presente no show em abril deste ano: quase todos os fãs, salvo poucas exceções, assistiram ao espetáculo muitas vezes a partir da câmera de seus celulares. A profusão de aparelhos ligados sempre que a cantora se aproxima do público fala por si só

Como se a experiência de estar ali só pudesse ser legitimada a partir de alguma mediação, neste caso, celulares e máquinas fotográficas que registram e captam aquele espaço e tempo.

Curioso notar o corte profissional da câmera quando ela alinha as mãos da plateia que estava em Londres, com a posição das mãos da plateia que está dentro do cinema. A pontuar também que, dentro da sala onde esse show estava sendo exibido, houve quem tirasse foto da tela. É Kylie se tornando mais real a cada camada de filtro aplicada sobre ela.

Carol Almeida
Terra Magazine

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Tags: 3D Aphrodite Tour Brasil Publicado por Staff KYLIE.com.br em 1 de setembro de 2011 às 18:46

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